quarta-feira, 12 de maio de 2010

O Porto do Rio de Janeiro




O Porto do Rio de Janeiro, de suma importância para o Brasil, como porto estratégico e de maior amplitude comercial bem antes de ser sede da colônia portuguesa em 1763, já constava como maior porto do Brasil, principalmente atraindo o monopólio do comércio de escravos da África.

Já a partir do século XVII com a entrada cada vez mais gradativa de mão-de-obra negra escrava em substituição da indígena, o tráfico negreiro de via Oceano Atlântico de Angola para o Rio de Janeiro foi se intensificando e cabendo a boa parte do trato negreiro a oligarquia dos Sá. Triangulações desses tratos partiam de Angola para Rio de Janeiro e do Rio de Janeiro para o restante do Brasil e Buenos Aires.

A partir da descoberta de ouro na região de Minas Gerais na segunda metade do século XVII a linha trajetória se intensifica para a região das minas de ouro. Da mesma forma, de Minas Gerais para o porto do Rio de Janeiro tomando o trajeto para a Metrópole portuguesa (Lisboa).

Outra época importante na afirmação do Porto do rio de Janeiro foi o translado da Família Real Portuguesa para a colônia brasileira em 1808, fugindo das tropas francesas de Napoleão Bonaparte que invadiram Portugal. Escoltados por uma frota armada britânica, a corte portuguesa foi transferida para o Brasil se fixando no Rio de Janeiro, abrindo os portos do Brasil para as nações amigas, diga de passagem a nação inglesa. Mesmo com a grande vantagem que os ingleses tiveram com a entrada de seus produtos com menor taxação alfandegária, vale ressaltar a enorme importância que recaiu ao Porto do Rio de Janeiro neste período.

Necessário sua ampliação e expansão para acondicionar tamanho volume de entrada no porto. reformas e ampliações no período do Império e da República foram efetivadas. Alvancada com as exportações do "ouro negro", o café, o porto do Rio de Janeiro precisaria de mais investimentos para agilizar o trajeto das sacas de café do vale do paraíba para o porto.

Localizado na enseada da Baía de Guanabara, o porto do Rio de Janeiro defendido por fortes na entrada da baía, foi palco diversos na história brasileira, fazendo parte na formação do Brasil como nação, servindo por longos anos e dando dividendos para o povo carioca. Atualmente o Brasil têm portos de tanta importância como o do Rio de Janeiro, mas sem dúvida a necessidade histórica de se manter como cidade relevante para o Brasil é devido ao Porto do Rio de Janeiro.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Descaso ou racismo?

Foi divulgado amplamente nos meios de comunicações pelo mundo todo a "irreverência autoritária" do ex-presidente dos EUA George Bush em sua visita ao Haiti, limpando a mão na camisa do outro ex-presidente da mesma nação Bill Clinton. O que vemos nesta situação: Dois ex-presidentes representando a nação mais poderosa do planeta em apoio a calamidade natural que o Haiti foi posto à prova. Mais ainda, um ex-presidente voltando a mídia depois do escândalo sexual com a estagiária na Casa Branca e um ex-presidente cada vez mais afinado com suas gafes públicas. A vítima agora foi o Haiti que não merecia ser exposta a tanta injustiça. A cena vista sugere um ato de pura ignorânia e racismo perante as câmeras, diante de um povo com esperança na visita de políticos que deveriam ser ilustres para eles (haitianos). Ninguém no mundo é obrigado a se expor a situações que não está apto a representar. Que mandem outros representantes! Afinal os EUA são uma nação democrática e republicana. E o Haiti não é obrigado a ser cúmplice de tamanha ignorância de tal representante perante sua dor e agonia.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Hino Nacional do Império do Brasil



Letra de Evaristo da Veiga e música de D. Pedro I. O Hino Nacional do Império do Brasil (1822-1889) era o que é hoje o Hino da Independência. Composta por D.Pedro I logo depois a independência, a música saldou o pavilhão imperial durante sua longa vigência. Provavelmente muitos não sabem da existência de um hino imperial brasileiro. Desta forma, a curiosidade está posta nesta postagem.

domingo, 27 de dezembro de 2009

História e Arte: A Dezembrada

História e Arte: A Dezembrada

A Dezembrada


A série de batalhas ocorridas no mês de dezembro de 1868 durante a Guerra do Paraguai, mais comumente conhecida como "dezembrada", foi crucial para a derrocada de Solano Lopez e a ocupação de Assunção, capital do Paraguai. Mesmo assim, a a dor da guerra continuaria até o fim definitivo em 1 de março de 1870 no combate de Cerro Corá com a morte do "El Supremo" (1).

Caxias sabia que era necessário um golpe fatal para por fim o mais rápido possível de uma guerra inglória, lenta e cruel que já se arrastava por 4 anos. O mês de dezembro foi posto a prova o poderio militar das forças imperiais sobre o combalido exército paraguaio. Batalhas como: Lomas Valentinas, Itororó, Angostura, Avaí, acabaram com o que porderia ser o último suspiro paraguaio e pôs em fuga o ditador Solano Lopez para as cordilheiras. A batalha do arroio Avaí foi a mais aguerrida delas.

Tarefa não fácil mediante o ímpeto guerreiro paraguaio diante das forças imperiais, sendo a rendição para o esfarrapado soldado paraguaio a última opção. Com a guerra a população do Paraguai foi reduzida a cerca de 200 mil habitantes com maioria de mulheres e crianças. Um mês importante e trágico para finalizar a guerra.

A manobra teve êxito, mas não terminou de imediato com as ambições do ditador Solano Lopez. Caxias se retiraria logo depois cansado e criticado, mas com o dever cumprido em tomar a capital paraguaia e de não participar da matança final. Coube a tarefa final ao genro do imperador D.Pedro II, conde D'Eu.


(1) Título que o ditador Francisco Solano Lopez era conhecido no Paraguai.
Imagem acima: Batalha do Avaí pintada por Pedro Américo e exposta no Museu de Belas Artes do Rio de Janeiro.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Os santos do catolicismo


Como entender a prática do culto aos santos da Igreja Católica e o que são esses cultos?

Primeiramente temos que analisar os cultos dos deuses greco-romanos. A religião antiga, como muito bem definida pelo historiador do século XIX Fustel de Coulanges, era vista como parte da vida social, econômica e política das cidades antigas. Cada cidade-estado tinha sua religião, seu fogo sagrado, seus cultos, seus deuses; não havia uma concepção de pátria ou nação, mas sim a terra dos pais (terra patria). As urbes seguiam seu deus como: Apollo, Atlas, Netuno, Hércules, dentro outros. Cada família tinha seu fogo sagrado que carregavam através da família paterna desde gerações. Cultos tratados seriamente durante gerações e que ditavam as regras e leis da família paterna (sempre representado pelo pai). As cidades quando em guerra, levavam seus deuses com os soldados como se fossem uma coisa única para combater outros inimigos e o deus inimigo.

Como retirar esta prática de muitos anos já enraizada nos povos antigos? De que forma a Igreja Cristã, aceita pelo imperador de Roma Constantino no século IV, fosse bem vista aos novos e futuros cristãos? Naturalmente não foi tarefa fácil e tão pouco rápida para os moldes da época. Mudar conceitos e tradições de povos seculares para uma doutrina nova e progressista, precisou de argumentos fortes e dissimilados, assim como todas as religiões usam para busca de novos adeptos.

O culto aos santos da Igreja Católica com o culto aos deuses antigos não é mera semelhança, mas prática milenar enraizada que perduram desde os povos antigos. A adoração de imagens, deuses ou a um único deus, remonta desde dos antigos Sumérios e Babilônios, na meso-américa (Incas, Astecas e Maias), África e na Ásia. A prática da adoração de deuses ou deus-único foi evoluindo conforme a mudança na formação política e alianças entre poder e igreja. No caso da Igreja Cristã, a união do rei franco Pepino, o Breve, ungido pelo Papa e posteriormente a mesma prática feita por Carlos Magno, filho de Pepino, tornando-se imperador de Roma e representante maior da Igreja Cristã do Ocidente, foi a maior prova dessas alianças superiores.

Santos e divindades que adoramos ou odiamos, são produtos naturais que o homem busca para praticar seus preceitos com o novo mundo. Aceitar novas doutrinas não requer necessariamente afundar toda a tradição que antes praticava no abismo, mas sim conciliar o antigo com o novo, maior prova disso foi a união de orixás africanos dos escravos no Brasil com os santos da Igreja Católica.

Há algo de pagão em todas as religiões!
Imagem: Visão da cruz por Constantino diante de seus soldados para conquista de uma batalha.