O filósofo e epistemólogo Michel Foucault, comenta em Vigiar e Punir que o soldado do século XVII se descrevia como alguém que se reconhece de longe com os sinais naturais de vigor, coragem, orgulho, honra e seu corpo é o brasão de sua força e de sua valentia, aprendendo aos poucos o ofício das armas; e no século XVIII o soldado tornou-se algo que se fabrica, um corpo inapto, corrigindo aos poucos as posturas, lentamente uma coação calculada de cada parte do corpo, tornando-se um corpo disponível. Os anos dos setecentos, o soldado é o objeto dos esquemas de docilidade segundo Foucault que diz que as disciplinas são métodos que controlam minuciosamente as atividades do corpo, realizando a sujeição constante de suas forças e lhes impondo uma relação de docilidade-utilidade. O corpo humano nasce, através da disciplina, uma nova relação mais obediente, formando-se uma política da coerção que é o trabalho sobre o corpo como uma manipulação calculada dos comportamentos do indivíduo. E ainda, disciplina fabricaria corpos submissos e exercitados, corpos “dóceis” sujeito ao poder político. Logo o domínio que os métodos disciplinares, não só nos quartéis, mas também em outras instituições, através da coerção num determinado grupo específico como as forças militares, faria objetivar o corpo construído pelas regras que modelam o soldado ideal, coeso e “dócil” para obedecer.
Será o capitulo que brevemente estarei terminando em minha pesquisa sobre o cotidiano na Guerra do Paraguai.
Até...
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